segunda-feira, novembro 22, 2010

Reflexões

Cabe aos cidadãos, tomar o futuro nas suas mãos e exigir políticos e politicas que promovam o desenvolvimento da sociedade açoriana, rejeitar os oportunistas que anos a fio a troco de um tacho na larga manjedoura do poder publico, traem os seus cidadãos a favor do directório partidário centralista de Ponta Delgada.

Como dizia Eça de Queirós Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente, e pela mesma razão.”

quarta-feira, novembro 10, 2010

Como se Morre de Velhice

Como se morre de velhice
ou de acidente ou de doença,
morro, Senhor, de indiferença.

Da indiferença deste mundo
onde o que se sente e se pensa
não tem eco, na ausência imensa.

Na ausência, areia movediça
onde se escreve igual sentença
para o que é vencido e o que vença.

Salva-me, Senhor, do horizonte
sem estímulo ou recompensa
onde o amor equivale à ofensa.

De boca amarga e de alma triste
sinto a minha própria presença
num céu de loucura suspensa.

(Já não se morre de velhice
nem de acidente nem de doença,
mas, Senhor, só de indiferença.)

Cecília Meireles, in 'Poemas (1957)

quinta-feira, novembro 04, 2010

Indifrença em política

Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania... que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações - a liberdade!

Antero de Quental, in 'Prosas da Época de Coimbra'

domingo, agosto 15, 2010

As principais empresas de hotelaria dos Açores garantiram a adesão a uma campanha de incremento de procura na época baixa que inclui a oferta das passagens aéreas para as ilhas.
A iniciativa, apresentada ao secretário regional da Economia pela Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), prevê o pagamento aos turistas do Continente que visitem as ilhas entre Outubro a Março dos encargos com os voos, desde que permaneçam no arquipélago um mínimo de cinco noites.Os hoteleiros garantem o custo das viagens, esperando o apoio do Governo Regional para a divulgação da campanha, referiu à agência Lusa o presidente da CCIA.

Algumas duvidas sobre esta campanha:
Esta campanha destina-se a captar turistas continentais, então e os açoreanos que se queiram mover dentro dos Açores?
Quem paga o custo das viagens para as ilhas onde não existem voos directos para o continente?

sexta-feira, maio 28, 2010

Centros locais de cultura

Num Mundo em constante mudança, onde o instantâneo, o superficial o descartável são reis e senhores, onde parece que forças nos empurram para perdermos a nossa memória colectiva, recordar e partilhar memórias é uma acção que adquire um carácter de resistência política, no sentido nobre do termo.
A memória partilhada é uma forma de não fugir ao esquecimento que o tempo acelerado da vida social nos impõe. Recuperar e preservar memórias no quotidiano, é actualizar oportunidades e desenvolver possibilidades encobertas de recriar, através da prática educativa, a história local a partir do lugar: realidade social experimentada directamente e oportunidade de realização de uma história diferente.

Recuperar e preservar a memória colectiva de uma comunidade local é desvendar a complexidade das redes de saberes que dão sentido às nossas acções do dia-a-dia, compartilhando-as colectivamente, através de um processo educativo que tem como ponto de partida e como ponto de chegada, acolher o passado e criar o futuro.

É nesta perspectiva que vejo s necessidade de a nível local se criarem centros da memória e da cultura local, como parte do desafio contemporâneo de preservação e socialização de marcas culturais. Isto significa dar consequência a uma prática de procurar articular saberes vividos e praticados com a memória e com a história local.

sexta-feira, março 05, 2010

Um Cristo que desça à terra


Os debates da SIC-N vieram confirmar o que já suspeitava. Nenhum destes sujeitos está minimamente preparado para os desafios que o partido e o país têm de enfrentar.
Aguiar-Branco não é presidente e muito menos um líder para o PSD se tem ideias para o partido e/ou para o país não se nota, parece apenas estar interessado em tirar votos a Rangel.
Rangel precipitou-se no tempo, deveria, agora sim, ter estado a comer mais uns tempos papas Maizena no Parlamento Europeu e a cumprir o mandato para o qual foi eleito, construindo e partilhando com a sociedade um projecto político consistente, para depois se candidatar a um cargo destes. Nota-se que este não é o seu tempo, se é que alguma vez será, parece ter sido empurrado, como corre pelos corredores, por Durão Barroso.
Passo Coelho é neste momento o mais bem preparado politicamente, com ideias mais estruturadas, o que não significa serem as melhores ou sequer aceitáveis em muitos aspectos e com uma máquina partidária devidamente preparada e estruturada. È de longe o mais parecido com o actual primeiro-ministro, o que não abona nada em seu favor. Tem consigo o que de pior há dentro do PSD, os interesses de alguns grupos de dentro e fora do partido, os interesses pessoais dos vários militantes que não tem coluna vertebral. A maior parte daqueles que estão sempre com quem ganha já se juntou a Passos coelho, ainda que há pouco mais de um ano dissessem cobras e lagartos da figura.
Aliás neste aspecto é uma tendência que se manifesta tanto lá como cá, ainda não se elegeu um presidente desde a saída de Álvaro Dâmaso, e já passaram vários e tão distintos uns dos outros, que uns tantos que só sobrevivem à custa das mordomias que o puder lhes confere, não sejam os primeiros da filha a gritar apoiado a todos. È ver as diversas Comissões Politicas Regionais.

«(...)seja na capital ou na feliz província
a presença de cretinos é uma jóia sem preço:
são os que convictamente
mais aplaudem, sem maldade
nem cálculo traiçoeiro
ou gritam apoiado
criando felicidade
no elenco inteiro
ou mais valia, nas forças vivas da cidade. (...)»
Como humanista e crente na capacidade do homem se aperfeiçoar espero que me surpreenda pela positiva e aí serei o primeiro a dar a mão à palmatória.
«É uma tristeza assistir a este espectáculo de pobreza de um partido, que foi o partido de Sá Carneiro. E, vá lá, de Cavaco.»
Vasco Pulido Valente no Público de 05/03/2010

Está tudo aqui

A política é magia. A quem sabe invocar os poderes é que eles obedecem
"O Livro dos Amigos", Hugo Hofmannsthal

A ouvir



Canção escrita por Ary Barroso e Lamartine Babo na década de 30, do século xx, em homenagem ao poeta paraense Antônio Tavernard, celebridade da poesia nacional na época e que morreu de hanseníase aos 28 anos, na sua casa denominada "Rancho Fundo", em Belém.
A casa fora construída para Tavernard morar só, devido ao famoso mito do contágio da doença. É uma canção triste, melodicamente linda, filha da união poética de Ary e Lalá. Aqui na voz de Ná Ozzetti.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Eça sempre actual

Este governo não cairá porque não é um edifício; sairá com benzina porque é uma nódoa.

Eça de Queirós, in O conde de Abranhos

Será que Nicolau Saião andou por cá quando escreveu este poema?

Elogio do Cretino (excerto)

Numa recepção de Estado, no salão duma autarquia,
numa cerimónia de homenagem a um que nada fez mas morreu tarde
ou demasiado cedo, co’os diabos do talento
seja na capital ou na feliz província
a presença de cretinos é uma jóia sem preço:
são os que convictamente
mais aplaudem, sem maldade
nem cálculo traiçoeiro
ou gritam apoiado
criando felicidade
no elenco inteiro
ou mais valia, nas forças vivas da cidade.
(E em geral,
por ironia do destino
o orador habitual
é que costuma ser, por sinal
o maior cretino!)

Nicolão Saião (in “Poemas Omnívoros”)

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

"A mim ninguém me cala"

Então senhor candidato, não tem nada a dizer?

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Já evoluimos

(imagem retirada daqui)
Está previsto mau tempo para o fim-de-semana, chuva e vento com uma forte ondulação de oeste. Antes da construção do molhe de protecção tínhamos receio do mar, agora, além do mar, existe o receio do próprio molhe...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A ouvir...

Leonard Cohen
(Clique aqui)
Recordando o concerto ao vivo no Pavilhão Atlântico em Julho de 2009, ao qual tive o enorme prazer de assistir.Um prazer sublime, obrigado mr Cohen.

Prova das Nove

Nota muito positiva para o programa do jornalista Rui Goulart, na RTP/Açores, excelente a possibilidade de interacção online através do facebook.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

A Ler...

Sinopse
Nesta obra, Eça sugere o tema clássico do elogio da "aurea mediocritas", quando mostra que nem é o fausto, nem o conforto, nem a ciência que fazem o homem feliz, mas sim uma vida calma, simples e natural.A descrição que faz da vida do campo é mais uma forma de idealização à maneira de Júlio Dinis. Revela-se um extraordinário paisagista. As descrições de A Cidade e as Serras concretizam o pensamento de Fradique Mendes: "a arte é um resumo da Natureza feito pela imaginação".Lilaz Carriço, in Literatura Prática II, Porto Editora (adaptado)

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